À noite eu estava terminando o segundo grau no Colégio Planalto. Era uma luta continuar interessado por matérias que não gostava. Tinha dois grandes amigos na sala, Eduardo e Alexei, e a gente se ajudava mutuamente para conseguir boas notas nas provas. O Alexei estudava piano na Escola de Música e a gente trocava altas idéias depois das aulas no bar Beirute.
Numa dessas idas para o Colégio Planalto, ao lado da Aliança Francesa, Caiu uma estrela cadente enorme que clareou o céu. Fiquei deslumbrado com aquela imagem única. Cheguei ao Colégio e fui para a sala, mas não conseguia me concentrar em nada, parecia que estava faltando algo, estava precisando colocar para fora palavras que vinham na minha cabeça. Me levantei da carteira e fui embora no meio da aula para casa, estava precisando escrever. Fui direto para o quarto dos meus irmãos Luiz e Nelson. Ficava nos fundos da casa e lá eu poderia fumar a vontade sem ninguém me incomodar. Tranquei a porta, peguei meu caderno e escrevi de primeira:
¨Cai dos ares, vem dizer
o caminho da esperança
vem deixando rastro
como um feixe de luz.
Rasga aquele manto escuro
que nos cobre todas as noites
vem trazer a lembrança
de séculos que passaram
sobre nossas cabeças
sobre nossas cabeças.¨
Naquele instante me lembrei do Edbert.
- Alo Ed, o que você tá fazendo?
- O Radovir tá aqui e estamos tomando uísque do meu pai e tocando piano.
- Cara, fiz uma letra legal, vamos fazer a música dela?
- Desce aí, to te esperando.
Até pensei em ir de camelo, mas achei que não ia dar muito certo. Voltar de madrugada, bêbado e de camelo?
- E aí, beleza? Entra...
- Cadê o Radovir?
- Saiu com o Denis. Ta afim de um uísque?
- To. Saca a letra que fiz.
O Edbert sentou no piano, deu um Dó maior e a música saiu de primeira. Uma melodia simples com acordes simples. Estava pronta uma música que a gente não imaginava a grandeza dela. Uma música Espiritual de dois adolescentes cheios de sonhos.
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Trechos do livro sobre a banda MEL DA TERRA
O que se convencionou chamar de Rock Brasília, a partir do estouro de algumas bandas em 1983, revelando ao eixo Rio-São Paulo a forte produção do estilo a Capital da República, possui outra origem em sua concepção da década de oitenta quase desconhecida do grande público brasileiro. O embrião do boom do rock que elevou o nome da cidade a um patamar igual ao do Rio e de São Paulo dentro da mídia surgiu em 1978, quando alguns garotos brasilienses resolveram trabalhar a música ainda moldados pelas correntes do som progressivo e as fusões com timbres mais latinizados.
Um ano mais tarde nascia o grupo Mel da Terra, o principal responsável pelo desencadeamento do rock brasiliense e primeira banda da cidade a chegar ao disco, dentro do que se pressupôs como ¨Rock Brasília¨. Na Verdade esta seria a terceira edição de um movimento que Se iniciou na década de sessenta, continuou com outra forma até meados dos anos setenta e consolidou-se mercadologicamente a partir de 1983. Nesta época o Mel da Terra seguia para São Paulo, onde no estúdio Vice-Versa, gravou seu primeiro trabalho, em forma de elepê e iniciou assim toda a trajetória de um movimento que tomaria conta do Brasil, em 1985.
Havia duas correntes roqueiras no Planalto Central no início dos anos oitenta. Uma transitava pelos acordes pesados e primitivos da ressurreição causada pelo Sex Pistols, que levantou nomes como o da Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. A outra trabalhava a música, dentro do estilo rock, com arranjos mais esmerados, concepção criativa e perfeito conhecimento musical, além de uma definição correta do que se pretendia fazer com a proposta. O Mel da Terra encabeçava esta segunda facção - se é que se pode considerar a única divisão deste sopro cultural como parte e ou integrante dela.
(Rodrigo Leitão)
Um ano mais tarde nascia o grupo Mel da Terra, o principal responsável pelo desencadeamento do rock brasiliense e primeira banda da cidade a chegar ao disco, dentro do que se pressupôs como ¨Rock Brasília¨. Na Verdade esta seria a terceira edição de um movimento que Se iniciou na década de sessenta, continuou com outra forma até meados dos anos setenta e consolidou-se mercadologicamente a partir de 1983. Nesta época o Mel da Terra seguia para São Paulo, onde no estúdio Vice-Versa, gravou seu primeiro trabalho, em forma de elepê e iniciou assim toda a trajetória de um movimento que tomaria conta do Brasil, em 1985.
Havia duas correntes roqueiras no Planalto Central no início dos anos oitenta. Uma transitava pelos acordes pesados e primitivos da ressurreição causada pelo Sex Pistols, que levantou nomes como o da Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. A outra trabalhava a música, dentro do estilo rock, com arranjos mais esmerados, concepção criativa e perfeito conhecimento musical, além de uma definição correta do que se pretendia fazer com a proposta. O Mel da Terra encabeçava esta segunda facção - se é que se pode considerar a única divisão deste sopro cultural como parte e ou integrante dela.
(Rodrigo Leitão)
Realejo (descendo a serra)
REALEJO
(letra e música: Paulo Maciel)
Vá por essa serra
olhando pelo retrovisor
estou aqui atras
esperando o ano novo.
Com esse olhar
que me mantém preso á você
já posso ver o mar
e tudo o que podemos fazer.
Que tal dançarmos ao som do realejo?
Você lê minha sorte e todo o meu desejo.
Corro pra perto
você nem desconfia
o que sinto é sincero
quero sair de uma ilha.
Vou ao lugar mais alto
que a estrada pode dar
estou inteiro no jogo
venha me descarregar.
Que tal dançarmos ao som do realejo?
Você lê minha sorte e todo o meu desejo.
Quando o vento sopra fogo ao fogo
não tem como apagar
Quando o vento sopra mar ao mar
é melhor mergulhar.
Que tal dançarmos ao som do realejo?
Você lê minha sorte e todo o meu desejo.
(letra e música: Paulo Maciel)
Vá por essa serra
olhando pelo retrovisor
estou aqui atras
esperando o ano novo.
Com esse olhar
que me mantém preso á você
já posso ver o mar
e tudo o que podemos fazer.
Que tal dançarmos ao som do realejo?
Você lê minha sorte e todo o meu desejo.
Corro pra perto
você nem desconfia
o que sinto é sincero
quero sair de uma ilha.
Vou ao lugar mais alto
que a estrada pode dar
estou inteiro no jogo
venha me descarregar.
Que tal dançarmos ao som do realejo?
Você lê minha sorte e todo o meu desejo.
Quando o vento sopra fogo ao fogo
não tem como apagar
Quando o vento sopra mar ao mar
é melhor mergulhar.
Que tal dançarmos ao som do realejo?
Você lê minha sorte e todo o meu desejo.
Estrela Cadente

No ano de 1979, eu e meu amigo Edbert compomos Estrela Cadente. No mesmo ano começei a tocar na Banda Mel da Terra e logo apresentei a música para a banda. Foi um grande sucesso e até a data de hoje é lembrada. No dia 28.01.2010 a música chegou ao patamar de 20.000 execussões no youtube. Agradeço de coração á todos que fazem com que essa música seja lembrada.
"Cai dos ares
vem dizer
o caminho da esperança
vem deixando rastro
como um feixe de luz
Rasga aquele manto escuro
que nos cobre todas as noites
vem trazer a lembrança
de séculos que passaram
sobre nossas cabeças
dentro de nossas cabeças."
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