À noite eu estava terminando o segundo grau no Colégio Planalto. Era uma luta continuar interessado por matérias que não gostava. Tinha dois grandes amigos na sala, Eduardo e Alexei, e a gente se ajudava mutuamente para conseguir boas notas nas provas. O Alexei estudava piano na Escola de Música e a gente trocava altas idéias depois das aulas no bar Beirute.
Numa dessas idas para o Colégio Planalto, ao lado da Aliança Francesa, Caiu uma estrela cadente enorme que clareou o céu. Fiquei deslumbrado com aquela imagem única. Cheguei ao Colégio e fui para a sala, mas não conseguia me concentrar em nada, parecia que estava faltando algo, estava precisando colocar para fora palavras que vinham na minha cabeça. Me levantei da carteira e fui embora no meio da aula para casa, estava precisando escrever. Fui direto para o quarto dos meus irmãos Luiz e Nelson. Ficava nos fundos da casa e lá eu poderia fumar a vontade sem ninguém me incomodar. Tranquei a porta, peguei meu caderno e escrevi de primeira:
¨Cai dos ares, vem dizer
o caminho da esperança
vem deixando rastro
como um feixe de luz.
Rasga aquele manto escuro
que nos cobre todas as noites
vem trazer a lembrança
de séculos que passaram
sobre nossas cabeças
sobre nossas cabeças.¨
Naquele instante me lembrei do Edbert.
- Alo Ed, o que você tá fazendo?
- O Radovir tá aqui e estamos tomando uísque do meu pai e tocando piano.
- Cara, fiz uma letra legal, vamos fazer a música dela?
- Desce aí, to te esperando.
Até pensei em ir de camelo, mas achei que não ia dar muito certo. Voltar de madrugada, bêbado e de camelo?
- E aí, beleza? Entra...
- Cadê o Radovir?
- Saiu com o Denis. Ta afim de um uísque?
- To. Saca a letra que fiz.
O Edbert sentou no piano, deu um Dó maior e a música saiu de primeira. Uma melodia simples com acordes simples. Estava pronta uma música que a gente não imaginava a grandeza dela. Uma música Espiritual de dois adolescentes cheios de sonhos.
sábado, 30 de janeiro de 2010
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